É Afrodite quem concebe
Das paixões arrancaram as primeiras vozes
Me dê uma sebe de nozes (quero papéis distantes)
Antes fosse agora a lebre
Pegadas perseguem na nuvem os algozes
Um pinheiro bem alto...
Hermes voa com seus pés talco
Fazendo querelas com Gabriel laico
Mas, onde estão as flores?
A estrela cai do céu
Sentindo muitas dores
Esmagando tantas torres
-Voa Gabriel ! Voa Gabriel...
Quebra-se o galho, acaba o riso
do chão some o piso
e nas nuvens borboletas deitam fora esperança
Ouve-se um grito de tardança:
-Larguem as almofadas.
-Eu arrancarei de vossos braços as aves toscas infantis bardas
E às deixarei assim:
Sem um nó na garganta
De asas quebradas
Água presa caçada
Reflexo fosco e opaco
De um qualquer eterno feliz
Ele diz... Ele diz...
Mas, eis que o céu encontra a terra
e a terra tira tudo do lugar
O vivo enterra
O poço vira ar
É o sol que se reitera
Na brisa morta do luar
É Hermes amando Era
e Hera crescendo em todo lugar
É o cupidinho cortando a esfera
com sua flecha de ninar
É Deus - deveras - mar
Um menino nasce
e o resto se apagar...
Agora me cace! Me cace! Quero ver quem vai me achar?
Cristina L. Nascimento 09/12/03
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