..........................................................Para Jaqueline Ribeiro
Aqui quem vos fala não é a mesma
completa desconhecida
com a estranha lembrança
de seu nome cabelo branco na parede
Seu nome assim, lípido e ronronante
como o legado que me deixastes
É...
essa pequena maleta com voz de diabo
a se esconder pelos cantos e frestas de minha vida perfeita
no meu palácio perfeito e completamente fora de ordem
esteticamente fora de ordem
preguisamente e irresponsavelmente fora de ordem
Ah! Há de haver alguma imperfeição
a fazer exceção a toda essa feliz-cidade
Céus... Há quanto tempo não falo assim...
com essa cara de sol e com esse fardo de fausto escondido
Há quanto tempo não faço um pedido?
Há quanto tempo não sou desatendido?
Sem sonhos ou malas feitas
me sinto um Raul no domingo
por fora cheguei a ápice/
por dentro sinto vontade de comer minha própria perna
e descer o Everest pra começar tudo de novo
Meu Deus, que falta de sonho e que falta de falta engasgada na garganta
que ar que não passa por mim, que desencanta!
Que o céu não seja, assim, tão pleno.
Que eu volte a ser pequeno e não tenha nada na vida
e tudo no coração.
Cristina Lino do Nascimento 14/09/2012 10h 8 mim
2 comentários:
Parece o poema de quem teve uma linda noite de amor, mas que não gozou para deixar o melhor para depois. A (sua) eternidade não pode não ser plena. Lindo poema!
Nem foi isso... A verdade é que os dramáticos sempre reclamam... Não sei escrever feliz... não sei escrever de bem com a vida... tem de ter uma querela. Se não tem agente inventa.
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