3 de set. de 2011

ALZHEIMER



para Andrea Lopes

Será que ainda sei ser poeta
e fingir minha dor?
Ou isso é impossível
pra quem encontrou o amor?
Pra quem vive em flor
e não mais em botão
Pra quem é só pé e mão
e achou o coração.

Não posso me esqueçer
que esse poema é pra você
Minha estrela do mar sem mar
minha lembrança de não

É... quando agente envelhece
agente esquece de fazer sentido
e outras coisas triviais
Agente se aquece e anda, anda até não poder mais...
Até descançar em paz
De tanto querer mais e mais
do que se tem
mais e mais que nunca vem
do que tem de ser feito por alguém
como esse poema e esse nenêm

Um choro do além
no aquém da garganta
Um coração que não bate, mas canta
Um mantra eterno do agora sem fim
De lábio carmim...
Como um chão estendido
de quem tem abrigo
e mesmo sem perigo quer morrer e chorar...
Quer enlouquecer pra ter o que dizer
à lua sem par
que só ouve os desesperados,
só vê os desamparados
e só molha os já molhados...
Pelo orvalho do luar.

Cristina Lino do Nascimento
27/07/11

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