16 de jan. de 2009

E sobre o amor

Eu sei que o grande mistério é não haver segredo algum
Mas agora adivinho que o grande mistério é não sabermos que não há mistério algum
O não acreditarmos na mentira insana da realidade
Fingir não entender a morte do próprio pai
Quando todos no salão sussurram a entreolhar-te e não crê-lo
No pequeno primo que esperneia a gritos por batata
Já vejo estas palavras lançadas na boca de céticos cavalos de Guernica
No entanto retomemos o ponto em que tanto quanto eu adivinhava o corpo de Eros...
Aquele corpo que achei conhecer cada milímetro
e imaginava pelo toque de todas as noites saber como causar cada reação
A mão apertada nas nádegas
Ter o amor em tubos de ensaio /na alma
Por isso penso modestamente que não vais compreender: minhas palavras não alcançariam o susto de haver ou não Deus... os dedos de minha garganta deslizantes, não, crispados.
Nem na tua boca eles seriam capazes,
Eu até poderia te mostrar por outros braços e abraços por minhas próprias mãos...
Mas, não...
Elas agora tocam o corpo de Eros como nunca antes...
Eu queria por uma criança num circo aqui espantada.
Mas o que vejo é um corpo de homem nú nas minhas mãos inteiramente perdido em mim...
E também não pude supor que era uma escolha... Pude
No principio não quis acreditar que havia um principio real existente pras coisas que eu pensava realmente existir.
...Tudo que eu pensei que era Ele, estava enganada tristemente enganada...
Por quê pensava e sentir não sentia o pensar não sentia o pensar de fato no meu ser
Na inocência intencional nunca supus ser a escuridão o próprio pressuposto da falsidade.

E o que me assusta mais é o lençol ainda na virilha
São meus lábios entreabertos, tolos insistentes
em pensar: não deixe a lâmpada apagar
não deixe ela escorregar quedar


Cristina Lino do Nascimento

21/06/04

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